segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sócio - Violência

VIOLÊNCIA

Por Patrícia Carvalho Pinheiro
O que é Violência:
Violência significa usar a agressividade de forma intencional e excessiva para ameaçar ou cometer algum ato que resulte em acidente, morte ou trauma psicológico. Assim, violência se diferencia de agressividade. A Agressão é uma ação momentânea, enquanto a violência precisa ser contínua,
A violência se manifesta de diversas maneiras, em guerras, torturas, conflitos étnico-religiosos, preconceito, assassinato, fome, etc. Pode ser identificada como violência contra a mulher, a criança e o idoso (doméstica), violência sexual, violência urbana, racial, de gênero, etc. A forma de ocorrência pode ser física, verbal (psicológica), que causa danos morais, que muitas vezes são mais difíceis de esquecer do que os danos físicos, ou mista.
A palavra violência deriva do Latim “violentia”, que significa “veemência, impetuosidade”. Mas na sua origem está relacionada com o termo “violação” (violare).
Quando se trata de direitos humanos, a violência abrange todos os atos de violação dos direitos: civis (liberdade, privacidade, proteção igualitária); sociais (saúde, educação, segurança, habitação); econômicos (emprego e salário); culturais (manifestação da própria cultura) e políticos (participação política, voto).
A violência está cada vez mais presente em nosso dia a dia.
Muito além dos delitos que se convencionou chamar de violência urbana - assassinatos, sequestros, roubos e outros tipos de crime contra a pessoa ou contra o patrimônio - com os quais nos assustamos e muito nos preocupamos, a violência abrange comportamentos tais como desrespeito sistemático às normas de conduta social estabelecidas pelos códigos legais ou pelos costumes, mal utilização do dinheiro público, corrupção, incompetência administrativa, imperícia profissional, infrações de trânsito, ocupação indevida de espaços públicos e privados, negligência causadora de acidentes, desrespeito ao consumidor e ao cidadão. Estes comportamentos estão tão banalizados e a eles estamos tão acostumados que não nos damos conta do quanto enfraquecem o
Assim, violência é todo o tipo de descriminação, preconceito e exclusão social. É violência tudo que atropela os direitos humanos, tudo que afasta o homem da realização plena de sua humanidade, tudo que o priva da possibilidade de viver como um ser social e solidário.
A formação de sociedade brasileira foi, historicamente, violenta. A exclusão social e política, a dominação e as desigualdades econômicas, sociais e culturais, que têm origem já no início da colonização, são formas de violência. Toda prática e toda ideia que reduza um sujeito à condição de objeto, que viole alguém interna ou externamente é violência e, neste sentido, somos todos vítimas e agentes da violência, em grandes e pequenas coisas do cotidiano.
No entanto, vivemos sob mito da não-violência, isto é, nos consideramos um povo cordial, generoso, alegre, solidário, que desconhece o racismo e respeita as diferenças étnicas, religiosas e políticas.
Não nos percebemos como um povo violento, porque a violência estrutural e institucional sempre esteve presente, tão natural que quase não nos damos conta. A violência que estranhamos, que nos tira a segurança e a tranquilidade, é aquela que se dirige ao mundo privado e ameaça o nosso cotidiano, rompendo a rede das relações de convivência mantenedoras da estrutura social.
Se há causas sociais que geram violência, também é verdade que o comportamento violento não pode ser atribuído a uma única causa – genética, biológica, social ou psicológica.
Sem querer minimizar a gravidade de nossas questões sociais, observa-se que a pobreza não produz necessariamente violência. Tanto é assim, que regiões extremamente pobres do Nordeste apresentam índices de violência muito menores do que aqueles verificados em áreas como São Paulo, Rio de Janeiro e outras grandes cidades.
A excessiva concentração de pessoas nas grandes metrópoles provoca aumento das tensões, ao mesmo tempo que o enfraquecimento do controle social, quer seja pelo anonimato e impessoalidade das relações, quer seja pela omissão do Poder Público, facilita a ocorrência de condutas antissociais que comprometem as condições de vida e de convívio. A violência se instala mais facilmente nas áreas urbanas onde a infraestrutura de serviços é precária ou insuficiente e há dificuldade em encontrar trabalho. Assim surgem novas variações de atos de violência, como o Bullying ou o Cyberbullying.
Muitas vezes é praticada por jovens da classe média e, mesmo ente os mais pobres, alguns estudos demonstram que cerca de 90% dos casos de delinquência são provocados por motivações de consumo, não pela necessidade ou pela miséria.
Os fatores de risco podem se reforçar e se influenciar mutuamente e à estrutura sociopolítica somam-se as trocas interpessoais, como elementos determinantes na construção das personalidades violentas.
Há diferentes tipos de violência, conforme pode ser definido a seguir.  
Primeiramente, de acordo com o Ministério da Saúde,  a violência contra a mulher pode ser definida como qualquer conduta - ação ou omissão - de discriminação, agressão ou coerção, ocasionada pelo simples fato de a vítima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, político ou econômico ou perda patrimonial. Essa violência pode acontecer tanto em espaços públicos como domésticos (Brasil, 2005).
A violência de gênero é voltada ao simples fato de ser mulher, sem distinção de raça, classe social, religião, idade ou qualquer outra condição, produto de um sistema social que subordina o sexo feminino. O caráter relacional da categoria gênero diz respeito às relações de dominação e opressão que transformam as diferenças biológicas entre o sexo em desigualdades sociais ou exclusão (Lavinas, 1997). 
A violência ocorrida em casa, no âmbito doméstico ou em uma relação de familiaridade, afetividade ou coabitação, ou seja, nas relações entre os membros da comunidade familiar, formada por vínculos de parentesco natural (pai, mãe, filha etc.) ou civil (marido, sogra, padrasto ou outros), por afinidade (por exemplo, o primo ou tio do marido) ou afetividade (amigo ou amiga que more na mesma casa), é classificada como violência doméstica ou intrafamiliar. Estas violências incluem abuso físico, sexual, psicológico, negligência e abandono.
A violência física é caracterizada pela ação ou omissão que coloque em risco ou cause dano à integridade física de uma pessoa, podendo causar lesões internas, externas ou ambas.
No caso de violência sexual, a pessoa é obrigada a manter contato sexual, físico ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimidação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal. Considera-se como violência sexual também o fato de o agressor obrigar a vítima a realizar alguns desses atos com terceiros. De acordo com o Código Penal Brasileiro de 1940: a violência sexual pode ser caracterizada de forma física, psicológica ou com ameaça, compreendendo o estupro, a tentativa de estupro, a sedução, o atentado violento ao pudor e o ato obsceno e o ato libidinoso (Brasil, 2009).
A violência moral é a ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação. 
A violência étnico racial, relacionada a diferenciação étnica, caracterizada pela Injúria Racial, quando há ofensas deferidas e ações que promovam a humilhação devido às questões raciais ou Racismo, quando um indivíduo é proibido de realizar qualquer ação devido ao preconceito racial.
Ainda temos a violência na forma de omissão de responsabilidade de um ou mais membros da família em relação a outro, sobretudo àqueles que precisam de ajuda por questões de idade ou alguma condição física, permanente ou temporária, chamada de negligência.
Há também a violência sexista, chamada no Brasil de Homofobia, relacionada à diferenciação da identidade de gênero, que pode ocorrer nas esferas publica ou particular, de forma física e /ou psicológica.
E, finalmente, a violência patrimonial que implica dano, perda, subtração, destruição ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores.
Além da divisão em tipos de violência conforme acima especificado a Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS (1998), juntamente com a Organização Mundial de Saúde (OMS), classifica os atos de violência física em:
• Ato moderado: ameaças, desde que não relativas a abuso sexual e sem uso de armas; agressões contra animais ou objetos pessoais e violência física na forma de empurrões, tapas, beliscões, sem uso de quaisquer instrumentos perfurantes, cortantes ou que gerem contusões;
• Ato severo: agressões físicas com lesões temporárias; ameaças com uso de arma, agressões físicas com cicatrizes, lesões permanentes, queimaduras e uso de arma.

Há ainda uma terceira forma de analisarmos a violência, através de sua classificação. São as três classes de violência:
A violência explicita (quando o indivíduo agressor deixa claro seu ato de violência, que é visivelmente identificado e marginalizado pelo indivíduo agredido e pela sociedade;
A violência cultural é a vivenciada devido as estruturas culturais de uma sociedade e que, por muitas vezes é ignorada ou banalizada.
A formação de sociedade brasileira foi, historicamente, violenta. A exclusão social e política, a dominação e as desigualdades econômicas, sociais e culturais, que têm origem já no início da colonização, são formas de violência. Toda prática e toda ideia que reduza um sujeito à condição de objeto, que viole alguém interna ou externamente é violência e, neste sentido, somos todos vítimas e agentes da violência, em grandes e pequenas coisas do cotidiano.
No entanto, vivemos sob mito da não-violência, isto é, nos consideramos um povo cordial, generoso, alegre, solidário, que desconhece o racismo e respeita as diferenças étnicas, religiosas e políticas.
Não nos percebemos como um povo violento, porque a violência estrutural e institucional sempre esteve presente, tão natural que quase não nos damos conta. A violência que estranhamos, que nos tira a segurança e a tranquilidade, é aquela que se dirige ao mundo privado e ameaça o nosso cotidiano, rompendo a rede das relações de convivência mantenedoras da estrutura social.
Se há causas sociais que geram violência, também é verdade que o comportamento violento não pode ser atribuído a uma única causa – genética, biológica, social ou psicológica.
Sem querer minimizar a gravidade de nossas questões sociais, observa-se que a pobreza não produz necessariamente violência. Tanto é assim, que regiões extremamente pobres do Nordeste apresentam índices de violência muito menores do que aqueles verificados em áreas como São Paulo, Rio de Janeiro e outras grandes cidades.
A excessiva concentração de pessoas nas grandes metrópoles provoca aumento das tensões, ao mesmo tempo que o enfraquecimento do controle social, quer seja pelo anonimato e impessoalidade das relações, quer seja pela omissão do Poder Público, facilita a ocorrência de condutas antissociais que comprometem as condições de vida e de convívio. A violência se instala mais facilmente nas áreas urbanas onde a infraestrutura de serviços é precária ou insuficiente e há dificuldade em encontrar trabalho. Assim surgem novas variações de atos de violência, como o Bullying ou o Cyberbullying.
Muitas vezes é praticada por jovens da classe média e, mesmo ente os mais pobres, alguns estudos demonstram que cerca de 90% dos casos de delinquência são provocados por motivações de consumo, não pela necessidade ou pela miséria.
Os fatores de risco podem se reforçar e se influenciar mutuamente e à estrutura sociopolítica somam-se as trocas interpessoais, como elementos determinantes na construção das personalidades violentas.
A violência sistêmica ou implícita: como é o caso da negligência, que ocorre em uma esfera não observada ou reconhecida pela sociedade.

AS LEIS
No Brasil a Constituição é de 1988 e o Código Penal Brasileiro de 1940, por isso a necessidade de Emendas Constitucionais ou de uma Reforma Constitucional é extremamente necessária para adequar nossas leis e seu código de punição à Sociedade Contemporânea, tão diferente de quando foram elaboradas.

CRIMES HEDIONDOS – NO BRASIL
Os crimes hediondos, do ponto de vista da criminologia sociológica, são os crimes que estão no topo da pirâmide de desvalorização axiológica criminal, devendo, portanto, ser entendidos como crimes mais graves, mais revoltantes, que causam maior aversão à coletividade.
Crime hediondo diz respeito ao delito cuja lesividade é acentuadamente expressiva, ou seja, crime de extremo potencial ofensivo, ao qual denominamos crime “de gravidade acentuada”.
Do ponto de vista semântico, o termo hediondo significa ato profundamente repugnante, imundo, horrendo, sórdido, ou seja, um ato indiscutivelmente nojento, segundo os padrões da moral vigente.
O crime hediondo é o crime que causa profunda e consensual repugnância por ofender, de forma acentuadamente grave, valores morais de indiscutível legitimidade, como o sentimento comum de piedade, de fraternidade, de solidariedade e de respeito à dignidade da pessoa humana.
São considerados crimes hediondos:
- homicídio quando praticado em atividade típica de extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, parágrafo 2º, incisos I,II, III,IV e V); latrocínio; extorsão qualificada pela morte; extorsão mediante sequestro e na forma qualificada; estupro; epidemia com resultado morte; falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais crime de genocídio previsto nos artigos 1º, 2º e 3º da lei 2889/56;
São crimes equiparados a hediondos: tráfico ilícito de entorpecentes; tortura; terrorismo.

SOBRE O CÓDIGO PENAL BRASILEIRO

Pena máxima a cumprir – 30 anos;
Sistema de progressão de pena: Regime Fechado, Semi-aberto, Aberto (evoluído a cada 1/6 da pena cumprido – desde que bom comportamento);

Exceções: prisão domiciliar (para prisioneiros com sérios problemas de saúde ou idade avançada);

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Geo - Ásia: Tigres e Japão.

TIGRES ASIÁTICOS
Com o recebimento de investimentos, principalmente dos USA (em meio à Guerra Fria), na década de 1970, quatro países da Ásia (Cingapura, Hong Kong, Coreia do Sul e Taiwan) apresentaram um acelerado processo de industrialização. Em razão da agressividade administrativa e da localização dos países, eles ficaram conhecidos mundialmente como Tigres Asiáticos.
O modelo industrial desses países é caracterizado como IOE (Industrialização Orientada para a Exportação), ou seja, as indústrias transnacionais que se estabeleceram nesses países e as empresas locais implantaram um parque industrial destinado principalmente ao mercado exterior.
Cingapura, Hong Kong, Coreia do Sul e Taiwan utilizaram métodos diferentes para o desenvolvimento econômico, no entanto, essas nações apresentaram aspectos comuns, como forte apoio do governo, proporcionando infraestrutura necessária (transporte, comunicações e energia), financiamento das instalações industriais e altos investimentos em educação e em qualificação profissional.
Além disso, esses países (exceto Coreia do Sul) adotaram uma política de incentivos para atrair as indústrias transnacionais. Foram criadas Zonas de Processamento de Exportações (ZPE), com doações de terrenos e isenção de impostos pelo Estado.
Diferentemente dos outros Tigres Asiáticos, a Coreia do Sul demonstrou resistência a instalações de empresas transnacionais em seu território. O desenvolvimento industrial do país baseou-se nos chaebols, que se caracteriza por redes de empresas com fortes laços familiares. Quatro grandes chaebols controlam a economia coreana e têm forte atuação no mercado internacional: Hyunday, Daewoo, Samsung e Lucky Gold Star.
Somente na década de 1980 começaram a entrar transnacionais na Coreia do Sul, entretanto estas são associadas a empresas coreanas.
Nas exportações dos Tigres predominam os produtos eletrônicos (televisores, dvds, aparelhos de som, micro-ondas), equipamentos para computadores e telecomunicações, tecidos sintéticos, roupas e veículos.

Os Novos Tigres Asiáticos.
Em consequência do grande desenvolvimento econômico dos Tigres Asiáticos, houve uma expansão para os países vizinhos do sudeste, o que proporcionou um processo de industrialização na Indonésia, Vietnã, Malásia, Tailândia e Filipinas. Além dos investimentos dos quatro Tigres originais, os novos Tigres passaram a fazer parte das redes de negócios de empresas dos Estados Unidos, do Japão e de outros países desenvolvidos.
Nesses novos Tigres foram instaladas indústrias tradicionais, como têxteis, calçados, alimentos, brinquedos e produtos eletrônicos. Nesses países há mão de obra menos qualificada que a encontrada nos quatro Tigres originais, porém, muito mais barata. Milhares de pequenas empresas produzem mercadorias sob encomenda, criadas e planejadas em outros países do mundo.

 Motivos para o crescimento:
- Estreito relacionamento entre as empresas privadas e o governo, que oferecia proteção ao mercado interno, por meio de impostos elevadíssimos para produtos importados;
- Grande incentivo às exportações oferecidas pelo governo, que implantou estratégias para atrair investimentos externos;
- Mão-de-obra barata;
- Maciços investimentos em educação e qualificação de MO.
 Entre os anos 70 e 90 o crescimento destes países era em torno de 10% a.a., Entre os anos 90 e 2000 passou à 7,5%, mas a crise dos USA desacelerou suas economias, mas o crescimento ainda existe, variando de 3 à 6% a.a.
 Motivos para a crise:
- crescimento da dívida dos países e das empresas à curto prazo;
- aumento crescente e irreal do preço dos imóveis;
- desaceleração da economia global que provocou queda das exportações e fez as indústrias reduzirem bastante sua produção.



JAPÃO
 A história do Japão é de mais de 8 mil anos. Por ser formado por mais de 3000 mil ilhas, em sua maioria vulcânicas, e, portanto, distante do continente, manteve seus aspectos de tradições culturais quase intactas.
Por séculos manteve relações comerciais com chineses e russos, mas o que não o impediu de tentar expandir territórios sob estes países, na tentativa de conquistar o continente.
Durante a expansão marítima europeia se manteve independente, e apoiou a colonização inglesa sobre a China, mas se manteve imperialista e feudal.
Somente em 1853, com os norte-americanos obrigando os japoneses a abrirem seus portos ao intercâmbio com outros países, o antigo regime entrou em convulsão e, depois de muita agitação, o governante, que era da dinastia Tokugawa, que governou por 260 anos, decidiu restituir o poder à corte do Imperador.
O monarca Mutsuhito estava então com 16 anos e, decretando o final do Feudalismo japonês, subiu ao trono como o 122º imperador, assumindo de fato a autoridade que, antes, era apenas virtual. Teve início, assim, o Período ou Era Meiji – Regime Iluminado -, que duraria quarenta e cinco anos, de 8 de setembro de 1868 a 30 de julho de 1912.
Esta etapa da história do Japão foi marcada por um veloz processo de modernização, que culminou na transformação deste país em potência planetária. Ao longo deste reinado a nação japonesa não esteve isenta de ser convertida em um mero fantoche do Ocidente, ou em uma colônia da Europa ou dos Estados Unidos.
Para evitar este destino, seu governante optou por fortalecer o Estado, constituindo-o na mesma medida em que eram estruturados os países mais desenvolvidos do Ocidente. Para alcançar este objetivo, o Imperador implementou diversos projetos políticos significativos, que decididamente converteram o Japão atrasado da Era Edo, completamente distante do resto do mundo, em um país adaptado aos tempos modernos.
O soberano concordou com o Ocidente em tomar como modelo os tratados internacionais contratados pelos xoguns das últimas eras, que compunham o que se denomina de bakufu. E também em atuar conforme os parâmetros estabelecidos pela Lei Internacional Mutsuhito.
Pouco a pouco o Japão foi sendo moldado de forma a conviver com o sistema capitalista. Sua gestão pública foi concentrada em um núcleo central; o Estado adotou a política de intervenção econômica, o que permitiu a extinção dos últimos vestígios do feudalismo, com a libertação da mão-de-obra e a absorção das inovações tecnológicas promovidas pelas grandes potências ocidentais.
Uma meticulosa reforma agrária e a renovação das leis referentes ao imposto territorial rural eliminaram os velhos feudos e as vantagens individuais. Foi criada, nesta mesma época, a moeda oficial do Japão, o iene, bem como foram instituídos o Banco do Japão, a educação primária compulsória, o fortalecimento do poder e do Estado, entre outras medidas fundamentais.
Ao mesmo tempo, o país ganhou suas primeiras universidades e um gabinete parlamentar, criado em 1885. Quatro anos depois a nação elaborou sua primeira constituição, assumindo-se, diante do mundo, como uma monarquia constitucional. O desenvolvimento da industrialização foi inevitável, e logo apareceram os impérios econômicos, baseados em grupos familiares conhecidos como zaibatsus, que estenderam seus tentáculos também ao mundo do comércio e das finanças.
O emprego de mais de 3 mil especialistas estrangeiros (chamados o-yatoi gaikokujin ou estrangeiros contratados) em várias áreas como o ensino de inglês, ciências, engenharia, o exército e a marinha etc; e o envio de muitos estudantes japoneses para intercâmbio na Europa e América. Acreditava-se que o conhecimento deveria ser buscado ao redor do mundo a fim de fortalecer as bases do domínio imperial. Esse processo de modernização foi monitorado de perto e intensamente subsidiado pelo governo Meiji, aumentando o poder das grandes zaibatsus (famílias) como a Mitsui e a Mitsubishi.
Juntos, os zaibatsu e o governo guiaram a nação, emprestando tecnologia do ocidente. O Japão gradativamente tomou controle da maior parte do mercado asiático de bens manufaturados, a começar com os têxteis. A estrutura econômica tornou-se muito mercantilística, importando matérias-primas e exportando produtos finalizados - um reflexo da relativa escassez de commodities no país.
Este avanço fez do Japão, junto com  os USA, os únicos países industrializados fora da Europa no início do século XX.
Durante a 1ªGGM o Japão só entrou na guerra para se apossar das colônias da Alemanha no Pacífico e das concessões alemãs na China.
Por não ter conseguido todas as concessões esperadas surge no governo japonês um sentimento de revanchismo contra a Inglaterra. Quando passa a desenvolver transações comerciais com a Alemanha (de domínio inglês no pós-guerra, conhece os trabalhos políticos desenvolvidos por Adolf Hitler. Na Itália se alia à Benito Mussolini em seu projeto político contra o Socialismo Russo, com quem assina o Pacto Ítalo-Germânico (1927). Em 1936 assina o Pacto Antikormintein com a Alemanha nazista. Em 1940, a aliança entre os três países foi consolidado o acordo entre eles com o Pacto Eixo: Roma-Berlim-Tóquio. O Eixo era uma aliança politica-militar que propunha a expansão territorial através da implantação da politica racial nacionalista (extermínio étnico).
A 2ª GGM também foi um marco na história do Japão.
Ao final da II Guerra Mundial, o Japão estava devastado. Todas as grandes cidades (exceto Kyoto), as indústrias e as linhas de transporte foram severamente danificadas.
As sobras da máquina de guerra japonesa foram destruídas. Cerca de 500 oficiais militares cometeram suicídio logo após a rendição incondicional, e centenas de outros foram executados por cometerem crimes de guerra.
O país perdeu todos os territórios conquistados desde 1894. As ilhas Ryukyu, incluindo Okinawa, foram controladas pelos Estados Unidos, enquanto que as ilhas Kurile, ao norte, foram ocupadas pela União Soviética.
A escassez de suprimentos continuou ainda por vários anos. Afinal, a população havia crescido mais que 2,4 vezes em relação ao começo do período Meiji, contando com 85 milhões de pessoas.
O Japão permaneceu ocupado pelos Aliados por quase sete anos após a sua rendição. As autoridades de ocupação, lideradas pelos Estados Unidos, representados pelo general Mac Arthur, empreenderam diversas reformas políticas e sociais e proclamaram uma nova constituição em 1947, que negava ao estado o direito de reconstruir uma força militar e resolver impasses internacionais através da guerra.
As mulheres ganharam o direito de votar e os trabalhadores, de se organizarem e fazerem greves.
Pela nova constituição, o imperador perde todo o seu poder político e militar, passando a ser considerado meramente um símbolo do estado. O sistema de aristocracia foi abolido e em seu lugar entrou em vigor uma espécie de monarquia constitucional sob o controle de um parlamento.
O primeiro ministro, chefe do executivo, deveria ser escolhido pelos membros da Dieta.
As relações exteriores, completamente interrompidas durante o período de ocupação americana, só foram retomadas a partir de 1951.
Nesse ano o Japão assina o Tratado de São Francisco, que lhe dá o direito de resolver seus assuntos estrangeiros e lhe devolve a soberania. Todavia, o veto à manutenção de um exército é mantido. Além disso, o Japão é obrigado a pagar indenizações aos países vizinhos agredidos por ele durante a guerra.
A reabilitação econômica do país torna-se uma das maiores preocupações do povo e dos líderes japoneses a partir daí. Com o apoio dos Estados Unidos e de outros países, o Japão integra-se a várias organizações internacionais.
Inicialmente houve um período de instabilidade, mas com a Guerra da Coréia (1950-1953) o Japão tem a oportunidade de reconstruir sua economia nacional. Na década de 60, com o apoio dos acordos comerciais, o Japão torna-se uma das principais potências econômicas e políticas, suficientemente forte para competir com as maiores potências mundiais.
Com a Guerra Fria, os EUA posicionam mais tropas no Japão e estimulam a perseguição aos comunistas e a criação de forças para autodefesa. Essas ideias foram bem-vindas pelos conservadores, mas causaram protestos e insatisfação das classes populares, dos comunistas e socialistas.
Em 1969 os americanos abandonam cerca de 50 bases militares lá instaladas, devolvendo Okinawa três anos mais tarde. O Japão foi admito à ONU em 1956, e em 1960 renova tratados com os EUA.
No mesmo ano as reparações aos países vizinhos são todas pagas. As Olimpíadas de Tóquio, em 1964, representam uma nova esperança para o povo japonês; no ano seguinte são estabelecidas relações formais com a Coréia do Sul.
Com o investindo milhões de dólares do FMI, o Japão volta aplicar em educação, desta vez, em educação tecnológica, se tornando uma das maiores potências no assunto, sendo pioneiro nos estudos com NANOTECNOLOGIA e ROBÓTICA.
As desgastadas relações diplomáticas com a China são normalizadas em 1972.
A partir de 1975, o país passa a integrar as conferências anuais com os sete países mais industrializados do planeta, o G7.
Em 1973 a crise do óleo abala a economia japonesa, que sofre um afrouxamento na expansão econômica e uma crise monetária, devido a redolarização econômica promovida pelos USA.
O primeiro ministro Kakuei Tanaka declara então “estado de urgência” para combater a crise. A reação da economia, tão dependente do óleo, foi o fortalecimento das indústrias de alta tecnologia.
A recuperação diplomática e econômica do país foi bastante auxiliada pela dominação no parlamento do conservador Partido Liberal Democrático (PLD), que dura até hoje.
A partir do começo da década de 90 o Japão firma-se como a segunda maior potência econômica mundial, acumulando saldos gigantescos no comércio exterior, principalmente nas relações comerciais com os Estados Unidos. Mesmo possuindo um grande contingente populacional, a PEA não supria as necessidades do país. Foi realizada uma política de abertura para mão-de-obra estrangeira, os chamados Dekasseguis, descendentes de japoneses.

Nos anos 2000, a crise capitalista atinge o gigante asiático. Dezenas de multinacionais passam a se instalar em mercados mais competitivos, baratos e com maior publico consumidor (os emergentes). A crise econômica estadunidense após o fracasso da Guerra ao Terror em 2008, atinge em cheio a economia japonesa, pois não encontra novos parceiros comercias. Isto gerou demissão em massa em vários setores, e o fim da política dos Dekasseguis. Após ser superado pela China, como segunda economia do mundo, hoje o Japão, assim como todo o mundo industrializado, vive crise financeira, baixo crescimento e estagnação capitalista.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Filo - História da Arte (Do mundo Clássico ao Renascimento).

Por Patrícia Carvalho Pinheiro

ARTE CLÁSSICA
A historia da arte Clássica é a arte e cultura dominante na Grécia antiga, entre o séc. VI e séc. IV a.C., que se estenderia pela influencia exercida na Roma antiga. Com uma sociedade menos ligada a religião, a arte que antes era encomendada para representar os deuses, encontra uma forma de ligar os homens aos deuses.
A arte Clássica grega criou uma grandeza estética e seu sistema de proporções ideais marcaram a civilização ocidental. A arte Clássica grega entra em decadência no séc. I a.C., com a arte romana tomando seu lugar. É claro que a arte romana sofreu muita influência da arte grega, mas a arte romana também criou suas própria características, como a pintura nas paredes e os estilos arquitetônicos toscano e composto.
- Os gregos antigos se destacaram muito no mundo das artes. As esculturas, pinturas e obras de arquitetura impressionam, até os dias de hoje, pela beleza e perfeição.
- Os artistas gregos buscavam representar, através das artes, cenas do cotidiano grego, acontecimentos históricos e, principalmente, temas religiosos e mitológicos. As grandes obras de arquitetura como os templos, por exemplo, eram erguidos em homenagem aos deuses gregos.

A arquitetura grega antiga pode ser dividida em três estilos:
1 – Coríntio -  pouco utilizado pelos arquitetos gregos, caracterizava-se pelo excesso de detalhes. Os capitéis
as colunas eram, geralmente, decorados com folhas.
2 – Dórico - estilo com poucos detalhes, transmitindo uma sensação de firmeza.
3 – Jônico - este estilo transmitia leveza, em função dos desenhos apresentados, principalmente nas colunas das construções. Outra característica deste estilo era o uso de base circular.

LITERATURA
As obras da literatura grega antiga são datadas entre o séc. VIII a.C. e o séc. IV d. C., ou seja, aproximadamente 1200 anos de tradição literária ininterrupta. Dividida em 3 fases: ARCAÍCA, CLÁSSICA, HELENÍSTICA.

1) Período Arcaico (séc. VIII-VI a.C.)
No período arcaico da história grega aparecem dois importantes gêneros literários, que terão continuidade até os dias de hoje, a poesia épica e a poesia lírica.
A Poesia Épica (séc. VIII a.C): se conservam nela reminiscências que remontam à Guerra de Tróia e à época micênica (séc. XII a.C.). É poesia épica a epopéia homérica, representada nos dois poemas atribuídos a Homero, a Ilíada e Odisséia.
Tradicionalmente vinculada a poesia épica está também a Teogonia, de Hesíodo, e seu poema didático, Os Trabalhos e os Dias.
- A Poesia "Lírica" (séc. VII e VI a.C.): Representada por autores como Alceu, Safo, Estesícoro, Alcmano, etc...
Surge junto com a filosofia dos pré-socráticos (Tales, Heráclito, Parmênides, Demócrito, etc...).
Os textos de filosofia são as primeira obras em prosa que temos dos gregos, embora alguns filósofos também utilizassem a poesia. A poesia era a única forma de expressão literária.

2) Período Clássico (séc. V-IV a.C.)
Tradicionalmente o período é delimitado por dois acontecimentos marcantes. Se inicia em 480 a.C., com a vitória dos gregos sobre os persas. E finaliza em 338 a.C., com Filipe da Macedônia, o pai de Alexandre, conquistando Atenas.
- séc. V a.C.: O chamado "Século de Péricles", quando Atenas é a mais importante cidade e grande centro cultural da Grécia.
Temos nas letras o desenvolvimento do Teatro, dentro do qual se destaca a tragédia, com os três grandes autores, Ésquilo, Sófocles, Eurípides, e da História, com Heródoto e Tucídides.
- séc. IV a.C: É quando surge a filosofia de Platão e Aristóteles, a Comédia chega ao seu ápice com Aristófanes e a Oratória ganha destaque com Ésquines e Demóstenes.

3) Período Helenístico (338 a.C - 30 a.C) e Greco-Romano
Se inicia com a hegemonia macedônica sobre a Grécia, devido as conquistas de Alexandre, o Grande. Outros centros de atividade, como Alexandria e Pérgamo, substituem Atenas.
Novos gêneros são criados, como a novela. Roma conquista a Grécia e recebe sua influência, que transmite para o mundo, especialmente nas regiões orientais.
Autores como Apolodoro (mitógrafo), Menandro (comediógrafo), Calímaco (poeta lírico), são representativos dessa época. 
A épica ressurge com Apolônio de Rodes, autor da Argonautica. É nesse período que, primeiro, o Velho Testamento é traduzido do hebraico para o grego e, mais tarde, o Novo Testamento é escrito em grego koiné, um dialeto derivado do grego ático.


PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA ARTE CLÁSSICA: CRIATIVIDADE, PARTICULARIDADE, UNIVERSALIDADE
1º) CRIATIVIDADE: uma extraordinária capacidade de invenção, de descoberta, de renovação. Nela se vê surgir muitos gêneros literários novos: lírica, tragédia, comédia, história, filosofia, biografia, novela. Esta capacidade criativa paradoxalmente aparece em uma região muito pequena, à margem das grandes civilizações orientais, como o Egito e a Pérsia. Portanto, esta literatura que hoje chamamos de "clássica" não foi nada estável ou imóvel em sua época.
2º) PARTICULARIDADE: uma literatura fortemente ancorada na vida coletiva grega. O autor é antes de tudo um membro de sua comunidade, e mais tarde, um cidadão de sua cidade, e cria para ela. A vida política está fortemente presente nas obras da literatura grega, e por esse motivo sempre devemos nos ocupar do seu contexto histórico.
3º) UNIVERSALIDADE: a pesar dessa particularidade, a literatura grega antiga apresenta um aspecto mítico, no sentido de tocar em temas fundamentais da existência humana. Sua força simbólica continuou agindo sobre leitores distantes no tempo e no espaço, pois levanta questões que transcendem os limites da sua particularidade. Os mitos gregos tem ligações com experiências e sentimentos pré-históricos e que constituem patrimônio de toda a Humanidade. É uma das portas a este fundo humano e, se não é a única via de acesso a esta experiência ancestral, já que temos as vias da literatura oriental ao seu lado, é a mais bem documentada. Em toda obra grega encontramos questões que transcendem os limites do tempo e do espaço, como Morte/Vida, Família, Sexualidade, Indivíduo/Coletividade, Dor/Prazer, Violência/Paz, etc...


A ARTE MEDIEVAL
TEOCENTRISMO = Deus como centro
O homem via Deus como centro do universo e praticamente toda a produção artística era religiosa. A arquitetura, pintura e as esculturas representavam cenas bíblicas, anjos e santos.

A LITERATURA MEDIEVAL
Introdução
Uma das principais características da literatura na Idade Média é a importância dada aos temas religiosos. Os textos e livros eram escritos principalmente por monges e integrantes do alto clero (bispos, arcebispos, papa). Como a maioria da população não sabia ler na Idade Média, esta literatura ficava restrita aos integrantes do clero e membros da nobreza.
Principais características da Literatura Medieval:
- Abordagem de temas religiosos: vida de santos, alma humana, moral cristã, existência de Deus, passagens da Bíblia Sagrada, interpretações religiosas de aspectos cotidianos, etc.
- Influência da filosofia grega, principalmente dos filósofos Aristóteles e Platão. 
- Textos escritos em latim.
- Livros feitos à mão e copiados (reproduzidos) pelos monges copistas. 
- Usavam o pergaminho para escrever os textos.
- Os livros eram ilustrados com iluminuras (desenhos feitos nas margens).
- A partir do século XII começam ser escritos textos relatando feitos heroicos, guerras e batalhas, Cruzadas e a vida dos cavaleiros medievais. Neste contexto, destaca-se o Ciclo Literário Arturiano, que se refere ao Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda.
Trovadorismo
O trovadorismo foi a primeira manifestação literária da língua portuguesa. Surgiu no século XII e destacou-se pelas cantigas de amor, de escárnio, de maldizer e de amigo. Os mais importantes trovadores deste período foram: Paio Soares de Taveirós, Dom Dinis e Dom Duarte. 
Principais escritores medievais:
 - Boecio
- Geoffrey Chaucer
- Giovanni Boccaccio
- Santo Agostinho
- São Tomás de Aquino
- Paio Soares de Taveirós
- Dante Alighieri


O ESTILO GÓTICO
Os séculos XI e XII são séculos de mudanças sociais, políticas e económicas que em muito vão fazer despoletar as necessidades de uma expressão artística mais adequada às novas premissas sociais.
O comércio está em expansão e a Flandres, como centro das grandes transações comerciais, leva ao desenvolvimento das comunicações e rotas entre os diversos povos e reduz as distâncias entre si, facilitando não só o comércio de bens físicos, como também a troca de ideais estéticos entre os países. A economia prospera e nasce um novo mundo cosmopolita que se alimenta do turbilhão das cidades em crescimento e participa de um movimento intelectual em ascensão.
Paralelamente assiste-se ao crescimento do poder político representado pelo monarca e à solidificação do Estado unificado, poderosa entidade que vai aspirar a algo que lhe devolva a dignidade e a glória de outros tempos e que ajude a nação a apoiar a imagem do soberano .
A igreja, por seu lado, vai compreender que os fiéis se concentram nas cidades e vai deixar de estar tão ligada à comunidade monástica, virando-se agora para o projeto do que será o local por excelência do culto religioso, a catedral. Ao contrário da construção humilde e empírica do românico, a construção religiosa gótica abre portas a um espaço público de ensinamento da história bíblica, de grandiosidade, símbolo da glória de Deus e da igreja, símbolo do poder económico da burguesia, do estado e de todos os que financiaram a elevação do emblema citadino.
Quando a nova estética se expande além das fronteiras francesas, a sua origem vai ser a base para a sua designação, art français,francigenum opus (trabalho francês) ou opus modernum (trabalho moderno). Mas vai ser só quando o Renascimento toma o lugar da linguagem anterior que os novos valores vão entrar em conflito com os ideais góticos e o termo actual nasce. Na Itália do século XVI , e sob a fascinação pela glória e cânones da antiguidade clássica, o termo gótico vai ser referido pela primeira vez por Giorgio Vasari, considerado o fundador da história da arte. Aos olhos deste autor e dos seus contemporâneos, a arte da Idade Média, especialmente no campo da arquitetura, é o oposto da perfeição, é o obscuro e o negativo, relacionando-a neste ponto com os godos, povo que semeou a destruição na Roma Antiga em 410. Vasari cria assim o termo gótico com fortes conotações pejorativas, designando um estilo somente digno de bárbaros e vândalos, mas que nada tem a ver com os antigos povos germânicos (visigodos e ostrogodos).
Somente alguns séculos mais tarde, durante o romantismo nas primeiras décadas do século XIX, vai ser valorizada a filosofia estética do gótico. A arte volta-se novamente para o passado, mas agora para o período misterioso e desconhecido da Idade Média. Goethe, também fascinado pela imponência das grandes catedrais góticas na Alemanha, vai acabar por ajudar ao impulso desta redescoberta da originalidade do período gótico, exprimindo as emoções que lhe são despertas ao admirar os gigantes edifícios de pedra.
Neste momento nasce o neogótico que define e expande o gosto pela utilização de elementos decorativos góticos e que reconhece pela primeira vez as diferenças artísticas que separam o estilo românico do gótico.

O BARROCO
O barroco se desenvolve no seguinte contexto histórico: após o processo de Reformas Religiosas, ocorrido no século XVI, a Igreja Católica havia perdido muito espaço e poder.
Mesmo assim, os católicos continuavam influenciando muito o cenário político, econômico e religioso na Europa.
A arte barroca surge neste contexto e expressa todo o contraste deste período: a espiritualidade e teocentrismo da Idade Média com o racionalismo e antropocentrismo que culminaria no Renascimento.
O barroco foi uma tendência artística que se desenvolveu primeiramente nas artes plásticas e depois se manifestou na literatura, no teatro e na música. O berço do barroco é a Itália do século XVII, porém se espalhou por outros países europeus como, por exemplo, a Holanda, a Bélgica, a França e a Espanha. O barroco permaneceu vivo no mundo das artes até o século XVIII. Na América Latina, o barroco entrou no século XVII, trazido por artistas que viajavam para a Europa, e permaneceu até o final do século XVIII.
Barroco = A palavra deriva do espanhol Barueco, que significa pérola irregular.
O Barroco brasileiro foi totalmente influenciado pelo barroco português.
A grande produção artística barroca no Brasil ocorreu nas cidade auríferas de Minas Gerais, no chamado século do ouro (século XVIII). Estas cidades eram ricas e possuíam um intensa vida cultura e artística em pleno desenvolvimento.
O principal representante do barroco mineiro foi o escultor e arquiteto Antônio Francisco de Lisboa.
Sua obras, de forte caráter religioso, eram feitas em madeira e pedra-sabão, os principais materiais usados pelos artistas barrocos do Brasil. Podemos citar algumas obras de Aleijadinho:
Durante os séculos XV e XVI intensificou-se, na Europa, a produção artística e científica. Esse período ficou conhecido como Renascimento ou Renascença.


RENASCIMENTO
As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc.
Neste período, era muito comum as famílias nobres encomendarem  pinturas (retratos) e esculturas junto aos artistas... Leonardo, Michelangelo, Rafael e Donatello.
O período do Renascimento Cultural ou Renascença marca a divisória entre a Idade Média, a dita "era das trevas", da "idade da luz", que seria a Idade Moderna. Embora costuma-se ler nos livros de história do ensino médio e fundamental, que o Renascimento fora uma época que abarcou os séculos XV e XVI, alguns historiadores preferem dizer que na realidade o Renascimento não durou um século em si, mas fora um processo que iniciou-se por volta do final do século XIII e se estendeu até os fins do século XVI ou em alguns casos até mesmo nos idos do século XVII. De qualquer forma, este recorte temporal que abrange mais de três séculos, não perfaz um progresso contínuo, essencialmente a renascença fora de caráter profundamente local, ficando quase que restrita as cidades italianas, fato este que se elaborarmos uma lista simples de dez artistas renascentistas, pelos menos oito serão italianos ou os próprios dez serão italianos. Isso não significa que a influência artística do renascimento não se espalhou por outras terras, ela se espalhou mas, de forma lenta e não gradativa.
O movimento surgiu nas cidades-estados italianas e, graças a seus humanistas e artistas, matemáticos e engenheiros, banqueiros e homens de negócios, a península itálica foi vanguarda dessa revolução cultural que dali se estendeu para o resto da Europa.
Locais como a França, Espanha, Alemanha, Países Baixos, e posteriormente, Portugal e Inglaterra, foram as nações que tiveram influencia dos ideais artísticos e culturais dos italianos. Mas isso não foi algo que ocorreu num dia para o outro, houve em alguns lugares rejeições a este ideal artístico, alguns dos motivos serão visto mais a frente, e m outros casos, a falta de recursos, de mecenas para patrocinar estes artistas era um problema que não levava a ida destes artistas para estes locais, os quais preferiam viver nas cidades italianas, em contra partida, os artistas destas outras nações que queriam seguir estes ideais, tinham que ir estudar na Itália ou até mesmo viver nesta.
Fatores importantes para compreender o contexto da Renascença: primeiro, as cidades italianas foram as precursoras e difusoras do renascimento, mas para que isso viesse acontecer muito teve que ocorrer. Antes das cidades começarem a se revigorar no século XIII, os séculos XI e XII foram marcados pelas cruzadas, por mais que tenham sido fracassadas em sua missão principal que era reconquistar a Terra Santa das mãos dos muçulmanos, as nove cruzadas e os vários anos de guerra, gerou riqueza e miséria para alguns, alguns territórios acabaram de fato sendo conquistados pelos cruzados, e isso permitiu que portos antes não acessíveis para os mercadores cristãos, agora lhes fosse acessíveis; Segundo, o comércio a partir do das primeiras décadas do século XIII voltou a fluir cada vez mais nos principais portos da Itália, e logo foi se estendendo para outras nações de forma mais lenta. As cidades de Florença, Siena, Veneza, Gênova começaram a se destacar nesta época. Mas, nem tudo era uma paz duradoura. O historiador francês Fernand Braudel, demonstra em seus trabalhos, que a Itália vivenciou períodos de paz e prosperidade, e períodos de guerra e decadência, entre dos séculos XIV ao XVI. Foi neste contexto turbulento que Maquiavel escreve o seu famoso O Príncipe, e será em meio às guerras, que Leonardo da Vinci aparecerá por seu trabalho como engenheiro militar.
Se por um lado a guerra e a paz marcaram as diretrizes destas cidades pelos séculos seguintes, no setor econômico, militar, politico e financeiro, a influência para as artes veio de uma reforma realizada no setor educacional e se assim posso chamar, no campo da tradução, e no direito. O século XII, marca uma renovação no campo das letras, algo que ainda ficou restrito ao clero e a poucos nobres, em geral da nobreza aos pobres, grande parte da população europeia era analfabeta. Mesmo assim, houve uma crescente fundação de novas escolas (apenas os nobres e abastados podiam estudar nestas escolas), houve uma revigoração nas leis, passou-se a se utilizar cada vez mais os preceitos legislativos, executivos e judiciários do direito romano, até então o direito romano já era utilizado, mas este dividia espaço com o direito canônico que ainda permaneceria e o direito comum, ou seja, o direito referente a cada povo. A utilização do direito romano e a ampliação de sua abrangência contribuiu para acertar brechas nas leis, e problemas legais, já que cada povo queria ser julgado por suas próprias leis, e neste caso, na Europa medieval o poder e a legislação eram bem fragmentados. Mas, outro ponto interessante que vem deste fator e a importância dada aos políticos, a história e até mesmo a literatura romana, fatores que seriam resgatados mais tarde e originaria a Renascença política.
No campo da tradução, o acesso aos documentos árabes, conquistados na Península Ibérica ao longo da Reconquista e nas Cruzadas, ajudou a introduzir novos conhecimentos nos campos das ciências, literatura, filosofia e politica. Os árabes eram exímios compiladores, e copiaram muitos dos textos da Antiguidade, como dos gregos, romanos, egípcios, hebreus, persas etc. O conhecimento adquirido por estes passou as ser "compartilhado" com o Ocidente. 
Nas artes o estilo gótico predominaria no setor sacro, seja na arquitetura, pintura, iluminura, escultura etc. O gótico seria bem visível nas grandiosas e complexas catedrais medievais. Sua aceitação no gosto eclesiástico, e popular, barrou a expansão da arte renascentista em alguns locais.