terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Sócio - Diversidade da População Brasileira

DIVERSIDADE DA POPULAÇÃO BRASILEIRA
Por Patrícia Carvalho Pinheiro

As pesquisas científicas afirmam que só existe uma única espécie de ser humano = homo sapiens sapiens, e que qualquer variação genética na espécie é de uma variabilidade de 93%, o que não caracterizaria uma subespécie, isto é, raças de humanos.
No entanto, socialmente, o conceito de raça é bastante comum na distinção de grupos étnicos populacionais, sendo, comumente distinguidos por 4 grandes grupos de raças humanas: brancos, negros, amarelos e indígenas.
Embora esta distinção racial não seja geneticamente aceita, sociologicamente é importante compreendê-la. Surgiu após a descoberta de novos continentes, que não o europeu, devido a necessidade do homem branco europeu em afirmar sua superioridade étnica diante de novos grupos populacionais. Assim surgem os conceitos de PRIMITIVIDADE E CIVILIDADE. O homem branco europeu se enxerga como “civilizado” (indivíduo dotado de senso civil e de organização social) em contrapartida aos povos “primitivos” (sem noções de civilidade) existentes em outros continentes.
Na distinção entre civilizados e primitivos nasce o conceito de RAÇA: grupo de indivíduos humanos que pertencem a uma mesma característica histórica (grau de civilidade) e a um mesmo patrão fisiológico (cor da pele, tipo de cabelo, formato do crânio, etc.). O preconceito que surge dentro do conceito de RAÇA é, deste modo, o de superioridade do HOMEM BRANCO EUROPEU (que já teria passado por todos as etapas dos processos evolutivos da espécie humana, por isso mais inteligente, mais bonito, mais civilizado).
Deste modo o conceito de RAÇA se diferencia do de ETNIA (que está ligado a fatores culturais como nacionalidade, origens históricas, identidade tribal, religião, língua, tradições culturais e reivindicações de soberania sobre o território em que vivem).
Portanto, apesar da não existência de bases científicas para classificar biologicamente os seres humanos, as desigualdades sociais existem, devido ao preconceito racial.
A formação étnica da população brasileira:
INDÍGENAS: Tupi, Jê, Aruaque, Cariri, etc.
AFRICANOS: Nagô, Jejê, Haussá, Benguela, Moçambique.
EUROPEUS: Portugueses, Espanhóis, Italianos, Alemães, Eslavos, Franceses e Holandeses.
ASIÁTICOS: Árabes, Japoneses e Chineses.
Quando os portugueses chegaram ao Brasil as estimativas mais aceitas indicam que viviam no atual território nacional de 3 à 5 milhões de indígenas. A principio, para a exploração do pau-brasil, utilizaram o trabalho desses povos em troca de presentes, em geral objetos sem valor para o europeu, mas de grande novidade para o indígena.
Com o início das lavouras de cana-de-açúcar a situação mudou. O indígena, devido à ação dos bandeirantes (que capturavam violentamente e vendiam indígenas como escravos) não aceitou pacificamente a submissão. Os padres jesuítas, por sua vez, que se instalavam no país e pretendiam catequizar os nativos criaram a teoria de que o índio tinha direito à liberdade e à propriedade. Para receber proteção os indígenas teriam de se converter ao catolicismo. Com cada vez mais dificuldade de aprisionar e manter índio cativos a coroa portuguesa tornou a escravidão indígena proibida em 1570, a não ser em caso de “Guerras Justas” (que serviu de desculpa para o extermínio de centenas de tribos na disputa e expansão territorial no país.
Em 1559 ficou estabelecido que a coroa portuguesa receberia os lucros da comercialização de africanos. O tráfico negreiro tornou-se assim um bom negócio para governo, traficantes e fazendeiros.  Calcula-se que até 1850, quando o tráfico foi finalmente abolido, cerca de 4,5 milhões de africanos tenham sido trazidos para o Brasil.
A resistência do negro à escravidão ficou evidenciada, primeiramente com estratégias de manutenção de suas crenças e costumes, fingindo aceitar a conversão ao catolicismo (Igrejas de negros com o culto aos Orixás), e, em segundo lugar, com a fuga e criação de Quilombos, que eram núcleos de escravos fugidos que passavam a viver em comunidades isoladas, o mais conhecido foi o de Palmares, localizado na Serra da Barriga (PE e AL), que chegou a ter mais de 10 mil habitantes.
As heranças da escravidão no Brasil hoje não é problema apenas para os negros, é também para os brancos, pois é responsável por muitas dificuldades sociais vividas atualmente, como a fome, as oportunidades desiguais, o desemprego e até a violência.
Após mais de 5 séculos de lutas, e apesar dos preconceitos, a formação do povo brasileiro incorporou várias contribuições de povos indígenas e africanos (gastronomia, música, dança, folclore, mitos, manifestações religiosas, expressões linguísticas, etc.).
Embora isso povos indígenas e afrodescendentes ainda hoje enfrentam dificuldades para obter sua integração social.
Ações afirmativas, como a política de cotas nas universidades, causam muita polêmica e discussões.
A influência cultural de imigrantes de diversas partes do mundo que vieram ao Brasil, principalmente pós abolição, ajudaram a construir o conceito de POVO BRASILEIRO.
A cultura de um povo se refere aos seus valores e costumes, à língua escrita e falada, às tradições religiosas, às diferentes manifestações artísticas e ao passado histórico comum, que no Brasil, se caracteriza pelo encontro de povos diferentes.
Foi em torno das relações entre os vários grupos humanos que se estruturou o Estado-Nação brasileiro, uma sociedade politicamente organizada por meio de instituições, com leis e governo próprios, e marcada por elementos culturais que lhe são peculiares.
A identidade cultural de um povo também resulta da maneira como as pessoas se relacionam com o espaço que habitam, ou seja, do modo como organizam esse espaço territorial. Uma nação se apropria dos lugares por meio de práticas culturais, que envolvem sentimento e simbolismo atribuídos a um determinado local.
No caso do Brasil, um território continental, com quase 200 milhões de pessoas, um povo com influências culturais múltiplas, resultante de uma miscigenação racial sim, mas principalmente cultural.

LEIS NO BRASIL:
No Brasil o RACISMO é um tipo de discriminação, e é crime.
Em conformidade com as leis internacionais, pautadas pela CONVENÇÃO DE GENEBRA (1973), RACISMO é o ato de se julgar ou praticar desrespeito a um indivíduo por considerá-lo inferior por causa de sua origem étnica ou por sua cor de pele, desde que este julgamento seja realizado por um indivíduo e/ou grupo, historicamente dominante sobre um indivíduo e/ou grupo historicamente subjugado (dominado). Isto significa que atos de racismo só podem ser constatados quando um indivíduo declaradamente branco age preconceituosamente contra alguém pertencente a outro grupo étnico/racial. Quando a ação ocorre de modo invertido, no Brasil é apenas considerado um ato de AFIRMAÇÃO RACIAL, o que não é Crime.
Deste modo, no Brasil só é considerado racismo quando um indivíduo é proibido ou inibido de realizar qualquer ação por ser considerado inapto por causa da cor da pele ou de sua origem étnica. Neste caso é um crime inafiançável, e pode ser punido com detenção de 6 meses a 4 anos.
 Quando a discriminação não impede o indivíduo de realizar normalmente qualquer tipo de ação, quem cometeu o ato responderá pelo crime de INJÚRIA RACIAL e não de RACISMO, que não é inafiançável e gera punição de no máximo 6 meses de detenção, ou conversão para serviços comunitários.

CONCEITOS:
Miscigenação: mistura racial, combinação genética entre várias etnias diferentes.
Segregação: Separação racial, isolamento étnico.




Filo - Tipos de Conhecimento

Tipos de Conhecimento
Por Patrícia Carvalho Pinheiro
O CONHECIMENTO
Conhecimento é o ato ou efeito de abstrair ideia ou noção de alguma coisa, como por exemplo: conhecimento das leis; conhecimento de um fato (obter informação); conhecimento de um documento; termo de recibo ou nota em que se declara o aceite de um produto ou serviço; saber, instrução.
O tema "conhecimento" inclui, mas não está limitado a, descrições, hipóteses, conceitos, teorias, princípios e procedimentos que são úteis ou verdadeiros.
TIPOS DE CONHECIMENTO
-  Mito ou Senso Comum;
- Ciência;
- Cultura;
- Religião;
- Arte;
- Filosófico.
SENSO COMUM OU MITO
 É a forma de conhecimento do tradicional (hereditário), da cultura, do senso comum, sem compromisso com uma apuração ou análise metodológica. Não pressupõe reflexão, é uma forma de apreensão passiva, acrítica e que, além de subjetiva, é superficial.

CONHECIMENTO CIENTÍFICO
Preza pela apuração e constatação. Busca por leis e sistemas, no intuito de explicar de modo racional aquilo que se está observando. Não se contenta com explicações sem provas concretas; seus alicerces estão na metodologia e na racionalidade. Análises são fundamentais no processo de construção e síntese que o permeia, isso, aliado às suas demais características, faz do conhecimento científico quase uma antítese do popular.
O desenvolvimento do método científico deu um contributo significativo para a nossa compreensão do conhecimento. Para ser considerado científico, um método inquisitivo deve ser baseado na coleta de provas observáveis, empíricas e mensuráveis sujeitas aos princípios específicos do raciocínio.
 O método científico consiste na coleta de dados através de observação e experimentação, bem como na formulação e teste de hipóteses.


CONHECIMENTO RELIGOSO:
Conhecimento adquirido a partir da fé teológica, é fruto da revelação da divindade. A finalidade do teólogo é provar a existência de Deus e que os textos bíblicos foram escritos mediante inspiração Divina, devendo por isso ser realmente aceitos como verdades absolutas e incontestáveis. A fé pode basear-se em experiências espirituais, históricas, arqueológicas e coletivas que lhe dão sustentação.


CONHECIMENTO CULTURAL
Cultura é o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural.
No dia-a-dia das sociedades civilizadas (especialmente a sociedade ocidental) e no vulgo costuma ser associada à aquisição de conhecimentos e práticas de vida reconhecidas como melhores, superiores, ou seja, erudição; este sentido normalmente se associa ao que é também descrito como "alta cultura", e é empregado apenas no singular (não existem culturas, apenas uma cultura ideal, à qual os homens indistintamente devem se enquadrar).
Dentro do contexto da filosofia, a cultura é um conjunto de respostas para melhor satisfazer as necessidades e os desejos humanos. Cultura é informação, isto é, um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que se aprende e transmite aos contemporâneos e aos vindouros.
A cultura é o resultado dos modos como os diversos grupos humanos foram resolvendo os seus problemas ao longo da história. Cultura é criação. O homem não só recebe a cultura dos seus antepassados como também cria elementos que a renovam. A cultura é um fator de humanização. O homem só se torna homem porque vive no seio de um grupo cultural. A cultura é um sistema de símbolos compartilhados com que se interpreta a realidade e que conferem sentido à vida dos seres humanos.
Além disso a cultura é também um mecanismo cumulativo. As modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, de modo que a cultura transforma-se perdendo e incorporando aspectos mais adequados à sobrevivência, reduzindo o esforço das novas gerações.

O CONHECIMENTO ARTÍSTICO
A palavra ARTE vem do Latim: habilidade, técnica.
Como Conceito, tem-se: é a manifestação humana estética e comunicativa realizada através da percepção das emoções e das idéias. Deste modo, podemos afirmar que a ARTE tem como OBJETIVO estimular a consciência do espectador.
O que será exposto pelo artista e o que será enxergado pelo espectador de uma obra de arte pode variar, dependendo de quais sejam seus referenciais artísticos, isto é, de qual sua visão de arte, seus modelos culturais (costumes, hábitos, educação, herança).
Neste sentido, podemos dizer que há basicamente 2 tipos de CULTURA ARTÍSTICA:
a) CULTURA DE MASSA: popular. Consiste em padrões culturais comuns a um determinado grupo, atingindo uma grande proporção social, pois na exigem padrões estéticos refinados;
b) CULTURA ERUDITA: elitizada. Caracterizada por padrões estéticos mais refinados, que exige do espectador uma maior visão de mundo (cultural e educacional);
Além do modelo de padrão cultural que temos (popular ou erudito) o que faz uma OBRA DE ARTE é a representação que ela faz da realidade. Neste aspecto a Obra de Arte pode ser ABSTRATA OU CONCRETA.
ABSTRAÇÃO: Consiste em uma representação figurada da realidade, da forma que o artista vê e a sente, nem sempre igual à forma observada pelo espectador;
CONCRETISTMO: Consiste na representação descritiva da realidade vivenciada, ou seja, da forma que ela é, sem distorções.
O que vai determinar se uma Obra de Arte é concreta ou abstrata é seu referencial: do ponto de vista do Artista ou do ponto de vista do Espectador.
Para o ARTISTA: Cabe a ele ter ATITUDE POÉTICA, ou seja, ser capaz de expressar com fidelidade seu sentimento através de sua Obra;
Para o ESPECTADOR: Ter um modelo popular ou erudito de cultura, que o tornará capaz ou não de compreender a Atitude Poética do artista. Exemplo: um indivíduo erudita pode não compreender como arte uma exposição de grafite nos muros de uma escola, assim como um indivíduo popular pode não ver sentido em um Ópera.

CONHECIMENTO FILOSÓFICO
O Conhecimento Filosófico se constitui de propósitos filosóficos: Verdade (NÃO DO MODO ABSOLUTO), pensamento racional, procedimentos especiais para conhecer fatos, aplicação prática de conhecimentos teóricos, correção, acúmulo de saberes.
A filosofia se baseia em 3 características: A indagação, a reflexão e a sistematização.
A INDAGAÇÃO:
O que é o homem?, O que é a vontade?, O que é a paixão?, O que é a razão?, O que é o vício?, O que é a virtude?, O que é a liberdade?, O que é um valor?, O que é pensar?.
§R: Porque avaliamos os sentimentos e as ações humanas.
§Para respondermos qualquer questão a indagação tem 3 princípios: O QUE É?, COMO É? POR QUE É?
Uma coisa, um valor, uma ideia, um comportamento?
Desde modo:
O QUE É?: - a filosofia pergunta qual é a realidade  e qual é a significação de algo.
COMO É?: - Como é a estrutura  ou o sistema de relações que constitui a realidade de algo.
POR QUE É?: - Por que algo existe, qual é a origem ou causa de algo.

A REFLEXÃO:
§É o movimento pelo qual o pensamento, examinando o que é pensado por ele, volta-se para si mesmo como fonte desse pensado.
§É o pensamento interrogando-se a si mesmo ou pensando-se a si mesmo.
§É o afastar-se para enxergar-se – como a reflexão de em um espelho.
§Quando volta-se para si mesmo o pensamento consegue: examinar, compreender e avaliar suas ideias, vontades, desejos e sentimento.

A SISTEMATIZAÇÃO:
§A filosofia não é feita de “achismos”;
§Ela trabalha com enunciados precisos e rigorosos, busca encadeamentos lógicos, opera com conceitos ou ideias obtidos por demonstração ou prova, racionalmente apresentados.
§O conhecimento filosófico é um trabalho intelectual. É sistemático pois exige que perguntas e respostas sejam válidas, verdadeiras.
§3 FATORES BÁSICOS: Visão de Mundo, Sabedoria de Vida, Crítica dos conhecimentos e práticas que aprendeu ao longo da vida.

O conhecimento filosófico, ao contrário da Ciência e do Senso Comum que buscam a verdade, procura a indagação, a reflexão. Refletir é o ato de se afastar do objeto e analisá-lo de fora, sem interferir com suas opiniões e conceitos próprios.
FASES DA FILOSOFIA
- Grega: centrada na política (pólis) – Sofistas, Sócrates e Platão;
- Greco-Romana: centrada na Metafísica (mundo do pensamento) e nas Ciências (Matemática, Biologia, Medicina, etc) – Aristóteles, Tales de Mileto, Pitágoras, Hermes, etc.).
- Medieval: patrística (pensamento religioso dos padres católicos);
- Moderna: Contratualismo, Liberalismo, Iluminismo e Socialismo.
- Pós-moderna: Determinismo, Estruturalismo, Funcionalismo e Libertarismo.


Filo - Início da Filosofia

Por Patrícia Carvalho Pinheiro

FILOSOFIA = FILOS (AMOR) + SOFIA (SABEDORIA)

PERÍODOS DA FILOSOFIA GREGA
1)            Homérico = Século XII ao VII a.C.
Período de exaltação dos grandes heróis gregos, através do relato de mitos e lendas
Ilíada – obra que retrata a história da Guerra de Tróia e o mito sobre o herói AQUILES;
Odisseia – obra que retrata as aventuras e conquistas do herói ULISSES (Odisseu).

2)            Clássico = século V ao IV a. C.
Período do apogeu das Cidades-Estados (as Pólis). Base da filosofia (Sofistas, Sócrates e Platão)

Os mitos gregos eram recolhidos pela tradição e transmitidos oralmente pelos medos e lapsodos, cantores ambulantes que davam forma poética a esses relatos e os recitavam de cor em praça pública.
A grande aventura intelectual não começa propriamente na Grécia Continental, mas nas colônias gregas: na Jônia e na Magna, foi lá que se originou o pensar filosófico. Neste trabalho mostraremos quem eram os sofistas, o pensamento político de Platão (suas obras e legado para a Filosofia), mostraremos também que foi Aristóteles e suas formas de governo.
É um tanto difícil discorrer sobre tudo, mas tentaremos expor através de pesquisas (em livros didáticos e também livros de autoria de Platão e Aristóteles) o pensamento político grego e sua política normativa.

Os Sofistas
Os sofistas sempre foram mal interpretados devido às críticas que deles faziam Sócrates e Platão. A história da filosofia nos dá nem faz referência a eles. A palavra sofista, etimologicamente, vem de sophos, que significa “sábio”, ou melhor, “professor de sabedoria”. Mas no sentido pejorativo, significa “homem que emprega sofismas”, ou seja, alguém que usa de raciocínio capcioso, de má fé, com intenção de enganar.
Eles vão também elaborar teoricamente e legitimar o ideal democrático da nova classe em ascensão, a dos comerciantes enriquecidos. a virtude de uma aristocracia guerreira se opõe agora à virtude do cidadão, a maior das virtudes é a justiça e todos, desde que cidadãos da pólis, devem ter direito ao exercício do poder.
Através dessa ideia elabora uma nova educação capaz de satisfazer os ideais do homem da pólis e não mais do aristocrata, superando assim, os privilégios da antiga educação, para a qual o conhecimento só era acessível aos que pertenciam a uma linhagem de origem divina.
É bem verdade que este momento não se dirige ao povo em geral, mas a uma elite, àqueles bons oradores que poderiam, nas assembleias públicas, fazer uso da palavra livre e pronunciar discursos convincentes e oportunos. A retórica será o instrumento desse processo e os sofistas, os mestres, da nova areté política.
Os mais famosos sofistas foram: Protágoras, Górgias, Híppias, Trasímaco, Pródico , Hipódamos, etc. vindos de todas as partes do mundo grego desenvolvem um ensino itinerante pelos locais em que passam, mas não se fixam em lugar nenhum. Para escândalo dos seus contemporâneos costumam cobrar pelas aulas. Por esse motivo, Sócrates os acusava de prostituição.
Outra obra importante foi a sistematização do ensino. Formam um currículo de estudos: gramática – da qual foram os iniciadores – retórica e dialética.
Com o brilhantismo da participação no debate público, deslumbram os jovens do seu tempo. Desenvolvem um espírito crítico e a facilidade de expressão, mas são com freqüência acusados de superficialidade e logomaquia, ou seja, de pronunciar um discurso vazio, um palavreado oco.
Não deixaram obra escrita, apenas citações de outras filósofos, e como já vimos sempre tendenciosas.

Sócrates:
Sócrates, de origem pobre e humilde, Filho de um escultor – Sofronisco e de uma parteira – Fenareta.
Importância do Pensamento Socrático: Mudança de foco no questionamento filosófico. O homem e seu comportamento tornam-se objeto principal de sua investigação. (antropologia).
É considerado o “Pai da Filosofia”, e sua preocupação são a ética e a moral.
Para Sócrates, a Filosofia não é uma profissão (como para os Sofistas) e sim “um modo de vida”. Foi condenado à morte (tomou um veneno chamado cicuta) por acusação de corromper a juventude, violar as leis da cidade e introduzir novas divindades em Atenas. 
O Método Socrático constitui-se em contribuir para tirar o indivíduo da sua ignorância e possui duas fases:
1-Exortação: Sócrates convida o interlocutor a filosofar, a buscar a verdade.
2- Indagação: Sócrates faz perguntas, comentando as respostas e voltando a perguntar caminha com o interlocutor para encontrar a definição da coisa procurada.
Tais perguntas dividem-se em duas partes:
a) IRONIA (Eironéia ou Refutação) = Demonstrar ao indivíduo através de perguntas a sua ignorância. Mostrar que o interlocutor é cheio de preconceitos, opiniões subjetivas, imagens sensoriais acatadas, enganos, etc.
b) MAIÊUTICA (Parturição: Em grego: “arte de dar a luz”, PARTO DE “IDÉIAS”) = Provar ao homem pelo método dialógico que ele é capaz de chegar à definição do verdadeiro conceito. (Parir idéias)
• Frase Célebre: “Conhece-te a ti mesmo”. “Sei que nada sei.”
* A ciência socrática resulta do método e significa “conhecimento autêntico e racional”.
Por operar com o exame de opiniões - definições parciais, subjetivas, confusas e contraditórias-, para chegar à definição universal e necessária, Sócrates inicia o que Aristóteles chamará de indução: chegar ao que é universal por meio do particular. Por realizar-se na forma de diálogo, por produzir argumentos para mostrar que uma opinião é ou parcial, ou confusa ou contraditória, ou mesmo errada, e por mostrar ao interlocutor do erro cometido e da necessidade de prosseguir na investigação. A indução socrática constitui a dialética socrática.
Sócrates sempre dizia que sua sabedoria era limitada a sua própria ignorância (Só sei que nada sei.). Ele acreditava que os atos errados eram consequência da própria ignorância. Nunca proclamou ser sábio. Nesta perspectiva é que seu pensamento filosófico pode dividir-se em dois conceitos básicos:  A VERDADE SÓCRÁTICA (A verdade absoluta não existe, mas, se não existe, já não há em si, uma verdade?) e o CONHECIMENTO SOCRÁTICO (infinito).
Sócrates acreditava que o melhor modo para as pessoas viverem era se concentrando no próprio desenvolvimento ao invés de buscar a riqueza material. Convidava outros a se concentrarem na amizade e em um sentido de comunidade, pois acreditava que esse era o melhor modo de se crescer como uma população.

Suas ações são provas disso: ao fim de sua vida, aceitou sua sentença de morte quando todos acreditavam que fugiria de Atenas, pois acreditava que não podia fugir de sua comunidade. Acreditava que os seres humanos possuíam certas virtudes, tanto filosóficas quanto intelectuais. Dizia que a virtude era a mais importante de todas as coisas.


 Platão
Platão nasceu em Atenas no ano 428 ou 427 a.C. Seus pais pertenciam a uma antiga e nobre descendência. teve um temperamento de artista e filósofo ao mesmo tempo, manifestação característica e elevado do gênio grego.
Aos 20 anos, Platão travou relações com Sócrates, cujo ensino e amizade gozou durante oito anos. Após a morte do mestre começou a viajar, dando um vasto giro para se instruir, através do Egito, da Itália meridional e da Sicília. Na Sicília tentou inutilmente realizar a sua utopia política junto à côrte de Siracusa.
Pelo ano de 368 fundava em Atenas a sua famosa escola, que tomou o nome de academia, dedicando-se inteiramente à especulação metafísica, ao ensino filosófico e à redação de suas obras até à morte (347 ou 348 a.C.).
A atividade literária de Platão abrange mais de cinqüenta anos; escreveu treze cartas e trinta e seis diálogos, que representam a obra prima de sua atividade artística e filosófica.
Platão sistematiza seu pensamento na simples idealização de uma cidade que não existe, mas que deveria ser o modelo da cidade ideal. Guiado pela reflexão filosófica, afirma que o bom governo depende da virtude dos bons governantes.
Devido às grandes convulsões sociais e as injustiças, como a derrota de Atenas na guerra contra Esparta e a condenação de Sócratres, levam Platão a ter um descrédito pela democracia, apesar dele ser de origem aristocrática.
Dentre todos os diálogos platônicos, aquele que talvez sintetize com mais clareza o ponto central de sua filosofia tenha sido Timeu. Nesta obra, Platão estabelece a famosa diferença entre o mundo sensível (o mundo concreto no qual vivemos) e o mundo das ideias — eidos, em grego.
Segundo o filósofo, tudo que observamos do mundo são apenas cópias distoncidas da realidade concreta. Qualquer compreensão adequada sobre as coisas do mundo sensível deveria abstrair as suas imperfeições e chegar até a sua essência, chegar até o seu ideal. Por exemplo: no mundo existem diversos tipos de cães – grandes, pequenos, claros, escuros, etc — mas apesar das diferenças, todos eles são cães, ou seja, todos têm em si a essência do que é um cão.
O mesmo raciocínio vale para os valores humanos. Enquanto os sofistas afirmavam, por exemplo, que justiça e injustiça eram meras convenções, Platão dizia que na verdade elas pareciam convenções porque havia muitas concepções diferentes de justiça; mas, se comparássemos todas elas e deixássemos de lado suas diferenças para olhar apenas o que nelas havia em comum, surgiria daí a essência do que era a Justiça.
Essa noção platônica de mundo sensível e mundo inteligível marcou época em toda a filosofia posterior e além, influenciando até mesmo muitos pensadores do cristianismo como Santo Agostinho.

E para explicar como diferenciamos os verdadeiros conhecimentos, ele cita o mito da caverna. No qual ele imagina uma caverna onde os homens estão acorrentados desde a infância, de tal forma que, não podendo se voltar para a entrada apenas enxergam o fundo da caverna.
Aí são projetadas as sombras das coisas que passam às suas costas, onde há uma fogueira. Se um desses homens conseguissem se soltar das correntes para contemplar à luz do dia os “verdadeiros objetos”, quando regressasse os seus antigos companheiros o tomariam por louco, não acreditando em suas palavras .
Então ele faz a seguinte análise separando por dois pontos de vista: o epistemológico (relativo ao conhecimento) e o poético.
Nesta perspectiva o conhecimento humano é por meio da teoria das ideias, que se divide em outros dois mundos: o sensível (dos fenômenos relativos aos sentidos, da multiplicidade, do movimento ilusório, pura sombra do verdadeiro mundo ) e o inteligível ( das ideias gerais da verdadeira realidade, das essências imutáveis que o homem atinge pela contemplação e pela depuração dos enganos dos sentidos ), e essas ideias estão hierarquizadas, no topo está a ideia do bem, a mais alta perfeição e a mais geral de todas: os seres e as coisas não existem senão na medida em que participam do bem.



3)            Helenístico: Século IV ao I a.C.
Helenismo é o nome dado ao período da filosofia grega que se sucede à Sócrates e Platão, quando a Grécia antiga já se encontrava sobre dominação do Império Romano, após conquista macedônica (Alexandre, o grande).
Nesse período as PÓLIS (cidades estado gregas) estavam em decadência, e surge um novo conceito de política, a noção de COSMOS = MUNDO.
Ao contrário da Pólis, onde todo cidadão (homens, livres e com posses) participava das decisões políticas, no Cosmos as decisões centrais vinham de Roma. Cabia, então, aos gregos, dedicar-se a outros “dons”, como a CIÊNCIA.
Neste período as ideias de um jovem filósofo, discípulo de Platão, ficam famosas. ARISTÓTELES.
Para Aristóteles a filosofia (ciência do conhecimento) se dividia em 3 partes: FÍSICA, ÉTICA e TEOLOGIA.
Partindo desta teoria, os SABERES DA FILOSOFIA, isto é, a forma como as ciências se organizam, podem ser CIÊNCIAS DA AÇÃO e CIÊNCIAS DA CONTEMPLAÇÃO.

AS CIÊNCIAS DA CONTEMPLAÇÃO:
São as ciências As que o ser humano não pode intervir – da natureza (física, matemática, biológicas); das coisas divinas (teologia, espírito, mitologia).
AS CIÊNCIAS DA AÇÃO:
São as ciências que interferem e fazem parte do dia-a-dia do indivíduo. Este tipo de ciência pode ser subdividida em 2 tipos: CIÊNCIAS PRODUTIVAS – que constroem a sociedade – arquitetura, pintura, economia, escultura, arte da guerra, arte da caça, arte da navegação, poesia, teatro, oratória e medicina; e CIÊNCIAS PRÁTICAS  (ou ciências do SABER) – que tratam do convívio humano – que podem ser a Ética (O indivíduo que faz o “bem” através de suas virtudes morais, como a generosidade, a lealdade, a fidelidade, a clemência, a prudência, a amizade, a justiça, a modéstia e a honradez) e a Política (quando o poder ético é aplicado ao coletivo).
O conhecimento filosófico, ao contrário da Ciência e do Senso Comum que buscam a verdade, procura a indagação, a reflexão. Refletir é o ato de se afastar do objeto e analisá-lo de fora, sem interferir com suas opiniões e conceitos próprios.
Com base nesta idéia, quando abordamos o tema ETICA (a ação humana pautada em virtudes morais) podemos determinar que o antiético é a ação através do desvio dessas virtudes, isto é, através do defeitos, das imperfeições humanas. Deste modo temos:

VIRTUDES (ETICA)
DESVIOS DA VIRTUDE (ANTIÉTICA)
No entanto, há um tipo de desvio que pode estar relacionado à duas virtudes A IGNORÂNCIA como desvio do RESPEITO e da SABEDORIA. A Ignorância como desvio da Sabedoria está relacionada ao não saber, ao ignorar algo. Já a Ignorância como desvio do Respeito relacionado ao ato de desrespeitar, maltratar pela ação da maldade.
Sob este aspecto podemos refletir sobre as ações humanas relacionadas ao se tratar com pessoas diferentes: pela origem, pela cor da pele, pela aparência, pela prática religiosa, etc.
BENEVOLÊNCIA
MALDADE
GENEROSIDADE
MESQUINHARIA
LEALDADE
TRAIÇÃO
FIDELIDADE
INFIDELIDADE
HONESTIDADE
CORRUPÇÃO
CORAGEM
COVARDIA
BRAVURA
MEDO
JUSTIÇA
VINGANÇA
MODESTIA
ARROGÂNCIA
HONRADEZ
DESONRA